Domingo, 7 de Setembro de 2008

Quito - Na Mitad del Mundo!!

A nossa viagem chegou ao fim na cidade de Quito. Depois de completamente aniquilados pelo Cotopaxi (a subida ao cume foi fisicamente extenuante), cheios de medalhas (pisaduras, feridas e dores), alcançamos a capital do Equador.
Quando chegamos a Quito alojamo-nos no Hostal Secret Garden, um paraíso para gringos, já que está recheado de ocidentais, essencialmente norte-americanos. Convenientemente localizado na zona histórica da cidade permite-nos conhecer a cidade no pouco tempo que reservamos para ela. Uma pequena visita ao centro histórico permite-nos ver a sua importância colonial. Os edifícios coloniais espanhóis dominam a área e estão muito bem preservados. O centro está cheio de igrejas, mosteiros e magestosos edifícios.
A verdadeira metade do mundo encontra-se a 22km de Quito. É a cidade de Mitad del Mundo, o local onde passa a linha imaginária do Equador (aqui materializada por uma linha dourada e um monumento) determinada por uma equipa de geógrafos franceses no século XVIII. Este local, descobriu-se recentemente, está deslocado da linha do equador cerca de 200m. Estas coisas só acontecem porque inventam GPS rigorossíssimos que deitam por terra locais de interesse turístico! Sendo assim, tivemos que visitar o local ocupado hoje pelo Museu Inti Nan, ou seja o Museu do Caminho do Sol, que se situa no local exacto da linha do equador. Este museu é extremamente interessante porque tem uma série de experiências que permitem comprovar algumas teorias da física moderna. Num espaço muito reduzido, cerca de 6 metros, conseguimos ver demostrada a forca de Coriólis. Num lavatório, colocado na linha do equador, a água escorre perfeitamente na vertical, sem qualquer desvio. Quando deslocamos o lavatório cerca de dois metros para o hemisfério sul, a água escorre no sentido dos ponteiros do relógio e a dois metros da linha, no hemisfério norte, escorre no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. É fabuloso. Esta linha dava-me tanto jeito nas aulas de 10º ano!! Outra das experiências conciste em comprovar a diminuição da força da gravidade na linha do equador devido à uma maior distância em relação ao centro da Terra. Na realidade temos muito menos força, mas a explicação científica confesso que não consegui entender. A distância ao centro da Terra não me parece totalmente plausível, já que a meros dois metros de distância não se altera tanto a gravidade terrestre! Ficou a dúvida para ser esclarecida nos livros de Física!! Desde experiências com ovos, a relógios de sol, à visualização das constelações, de tudo um pouco se pode experienciar. Vale a pena o desvio um pouco a norte da "Mitad del Mundo".
Uma visita a Quito não ficaria completa sem a subida ao TeleferiQo. Com 4100m de altitude, o teleferiQo sobe mais de 1250m em direcção ao vulcão Pichincha. As vistas da cidade são avassaladoras e parece que esta urbe não tem fim. Para quem tem vertigens é pouco aconselhavel e o frio e a altitude tornam este local propicio a "mal-estar"!
Apesar da cidade de Quito ostentar o titulo de "capital mais perigosa da América do Sul", não nos pareceu nada de extraordinário e é uma das capitais mais organizadas e desenvolvidas dos países que visitamos.

Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

No cume do Vulcão Cotopaxi!!! - 5897m


De uma certa forma, no subconsciente das nossas mentes, a subida a um cume foi sempre encarada como o culminar das nossas férias. Durante estes dois meses de viagem percorremos grande parte da cordilheira dos Andes, subindo e descendo montanhas, a pé ou de carro, desde os Andes desérticos da fronteira Chile-Bolivia, passando pelos Andes gelados das cordilheiras peruanas, até aos Andes vulcânicos equatorianos. E é aqui, neste país semeado de vulcões adormecidos e outros bem acordados que se situa a montanha que escolhemos para tentar o cume. Aquele que é considerado o vulcão activo mais alto do mundo - o Cotopaxi.Apesar de o guia da Lonely Planet dizer que a subida não é para principiantes, também é verdade que esta não era descrita como sendo técnica. Assim sendo, confiamos que seria uma subida dita "de progressão", não havendo necessidade de escalada (em rocha ou gelo) estando assim ao alcance de qualquer pessoa com boa condição física e aclimatação. No final desta aventura descobrimos que não e bem assim!
Contratamos uma agência em Latacunga, a Volcan Route Expeditions, para termos o necessário apoio em termos de material e de um guia qualificado. Tanto em termos de um, como de outro, fomos muito bem servidos. O nosso guia, Julian, é uma pessoa muito simpática, e um profissional excelente e com muita experiência. Basta dizer que no seu currículo tem aproximadamente 600 subidas ao cume do Cotopaxi! Tenho a certeza que ele foi uma peça fundamental do nosso sucesso.
Devo confessar que estou a escrever o resto deste texto duas semanas depois de ter subido ao cume do Cotopaxi. Desde aquele dia, com a respiração ofegante e pernas cambaleantes a 5897m de altitude, até hoje, sentado na nossa sala na calma vila de Celorico de Basto, já passei pela metrópole de Quito, uma visita à metade do mundo, três viagens de avião com uma breve passagem pelos aeroportos de Miami e Madrid, o reencontro com família e amigos, a apresentação na escola, as reuniões de início do ano lectivo, as idas a Lisboa, o concerto de Madonna, o início das aulas… Terei deixado passar demasiado tempo para pôr “preto no branco” aquilo que senti naquele dia? Será que estes dias alteraram os meus sentimentos, a minha percepção em relação a esta nossa última grande aventura na América do Sul? Talvez… Hoje, de que me lembro mais? Vejo-me de crampons e piolet agarrados à neve, fazendo o esforço por subir aquela parede com inclinação de 70°, o último obstáculo rumo ao cume. Parei várias vezes, exausto. Já estava a percorrer os glaciares há quase seis horas, cinco das quais em escuridão. Saí do refúgio com muitos receios, sendo um dos maiores o caminhar na escuridão, mas rapidamente percebi que ela era um dos meus melhores aliados. Nela, não se vêm as inclinações acentuadas das vertentes, as enormes distâncias a percorrer, as crevasses a atravessar, o abismo branco que está para baixo… Só caminhamos, seguindo o guia. Um pé atrás do outro. Piolet, bastão, passo, passo… Por vezes, o declive é tanto que o pé do lado da vertente é sujeito a um esforço enorme. Muda-se a posição, caminha-se de lado. Não está frio. Transpiro muito. Paramos de vez em quando. Não me sinto demasiado cansado. Na realidade, nem me sento. Olho para baixo. Uma rampa branca até onde a luz do frontal alcança e depois… vazio. A neve do glaciar também se ressente desta noite pouco gelada e por vezes afundamo-nos a caminhar. Começa a clarear. Um grupo segue à nossa frente. A inclinação começa novamente a aumentar. Seguimos numa vertente à nossa direita, com o piolet nela enterrado e os pés seguindo o trilho estreito. Dobramos a vertente e… ainda falta tanto! E ainda temos de subir esta parede. Cravar os crampons e a ponta do piolet na neve e subir. Enterro-me na neve, sinto-me sem forças. Estou exausto. Penso: “Não posso mais, não posso mais!” Paro, respiro, olho para a parede à minha frente, para o guia e para a Carla, acima de mim. Já falta pouco… Tenho de continuar! Afinal ainda tenho forças… Chegamos à rampa final. A inclinação é mais suave. O grupo à nossa frente já vem a descer. Quer dizer que já estamos mesmo perto! Felicitamo-nos mutuamente. E chegamos. Olho em redor. Nada mais alto. De um lado, vê-se a montanha, as nuvens abaixo, outras montanhas ao longe… Do outro, a cratera, quase completamente envolta em neblina. Só lhe vejo um pouco do rebordo. O guia abraça-nos e dá-nos os parabéns. Mas não tenho ânimo para tirar fotos. Digo ao guia que isto de subir montanhas não é para mim mas ele responde-me que, quando era novo, também dizia isso mas depois regressava sempre. Bebo água e tento dar uma trinca no chocolate que trazia na mochila, agora congelado. Só tenho um pensamento na cabeça: tenho de descer por onde subi. E assim foi. Desta vez, à frente. Tal como na subida, algumas instruções rápidas do guia, uns passos iniciais hesitantes, e depois… Cada um por si. Tive receio, no início. Descer de costas a parede que tinha subido há pouco tempo. Descer a vertente inclinada, agora à nossa esquerda. Piolet agora na mão esquerda, mão direita na neve. Um pé de cada vez, devagar. Não se olha para baixo. Só para os pés, para as mãos, para a neve. E passamos. Senti-me mais confiante. Caminhava com mais destreza. Parava para admirar a paisagem. Tirei algumas fotos. Mas o pensamento não tinha passado; tinha de descer. A corda dava esticões; ia depressa demais. Até chegar ao refúgio, olhei poucas vezes para trás. Como tinha subido aquilo tudo? Se tivesse aquela visão ao subir, não o teria feito. Ou teria?... Antes de subir, pedi à montanha pela minha segurança. E quando cheguei, agradeci ao Cotopaxi pelo cume, mas principalmente pela visita segura. E agora? Sinto saudades. Estou feliz por o ter feito, por a montanha me ter deixado ir lá cima, por ter conseguido corresponder. E, por estranho que pareça, e em contraste com o que senti no cume, uma parte de mim quer regressar lá, à montanha, e, quem sabe, talvez outro cume.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Quilotoa Loop

Latacunga foi a base de mais uma aventura por terras equatorianas. Desta vez resolvemos fazer o Quilotoa Loop. O loop e uma volta em torno da laguna vulcanica do vulcao Quilotoa. Esta laguna resulta do abatimento da cratera vulcanica agora inactiva(?).
Começamos o nosso loop por apanhar um autocarro local desde Latacunga ate Zumbahua. Ai tivemos que recorrer a boleia de um camiao. Na parte traseira percorremos os 14km que separam esta aldeia da Laguna de Quilotoa. As aguas da laguna sao de um verde esmeralda encantador. Infelizmente o ceu estava muito nublado e as fotografias nao fazem juz ao encanto do lugar.

Na laguna de Quilotoa conhecemos a Maria. E uma equatoriana, de etnia Quechua que nos vai guiar entre a laguna e a povoaçao de Chungchilan. Estes dois locais distam 22km um do outro e nos decidimos percorrer essa distancia a pe. Como nao conseguimos comprar um mapa recorremos a ajuda de um habitante local. E la fomos. Acompanhamos o bordo da laguna durante cerca de uma hora e depois começamos a descer o cone vulcanico em direcçao a um canhao fabuloso. Descemos ate ao fundo do rio e depois voltamos a subir em direcçao a povoaçao de Chugchilan. Foram quase quatro horas a caminhar ininterruptamente. O trekking e muito bonito e as paisagens sao deslumbrantes. Ficamos a dormir em Chugchilan, no Hostal Cloud Florest. De manha apanhamos boleia, novamente, na traseira de um camiao e alcançamos Sigchos. Ai tivemos que aguardar cerca de quatro horas. Os transportes por estas bandas sao muito dificeis! A aldeia e muito pouco caracteristica e o tempo tambem nao ajudou. Apanhamos o autocarro local, apinhado de gente para o mercado local, com destino a Latacunga.

O loop ficou completo com a passagem por Saquisili, onde se prepara o mercado semanal de amanha.

Canyoning em Baños

Canyoning... afinal o que é o canyoning? Muito simples, o canyoning é um desporto radical que consiste em descer os rios que apresentam quedas de água recorrendo a técnicas de escalada e rappel. Os melhores cursos de água para desenvolver esta actividade são aqueles cujo leito corre num canhão. Quanto mais profundo for o canhão e quanto maior for o denível da queda de água mais exigente é a descida. Foi isto que decidimos experimentar hoje.
Já há muito tempo que o canyoning me fascinava mas não é fácil praticá-lo em Portugal. Esta situação não se deve ao facto de nós termos poucas quedas de água; Deve-se sim, ao facto de grande parte delas se localizarem em parques naturais e, erradamente, considera-se uma actividade agressiva para o meio. No Equador, esta actividade, em conjunto com muitas outras, permite o desenvolvimento de áreas remotas levando ao dinamismo de povoações pouco acessíveis. No Parque Nacional de Llanganales, próximo de Rio Branco, experimentamos o prazer das descidas em cascatas!
A Geotours foi a empresa que escolhemos para nos "orientar" nesta aventura. Ainda bem que o fizemos porque é muito competente e o equipamento é muito bom. Os guias são fabulosos, atenciosos e muito técnicos. Eramos sete pessoas, dois portugueses e cinco alemães. Começamos por experimentar o equipamento e a técnica de descida em rappel numa queda com 6 metros. Depois fomos descendo o canhão em quedas cada vez maiores, desde 8, 15, 20 e a última com 35 metros. Foi o MÁXIMO!
Eu tinha muitas expectativas em relaçao a esta actividade mas realmente foram superadas. É muito bom. Conseguimos conhecer o canhão do rio dentro... do rio! E incrivel. Quando tentamos olhar à volta só vemos paredes rochosas e água... água que cai por cima de nós e que nos deixa compreender verdadeiramente a força da natureza. Entre as diferentes quedas de água temos que atravessar pequenas lagoas. Estamos rodeados por vegetação luxuriante e o barulho da água e ensurdecedor. Foi uma experiência alucinante. Fantástico!

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Pesadelo no Tungurahua


Baños é conhecida pelas suas cascatas, pela sua proximidade à orla da floresta amazónica equatoriana mas, principalmente, pela proximidade do vulcão activo - Tungurahua. Este teve uma grande erupçao em 1999, levando os vulcanólogos a aconselhar a evacuação imediata da cidade, que foi feita com a ajuda do exército. Mas, a "grande explosão" não se concretizou e, após meses longe das suas casas, entretanto saqueadas, as gentes de Baños resolveram fazer frente a todos e regressar. Desde então, o vulcão teve um breve acordar em Agosto de 2006, mas hoje parece calmo. Até quando? Ninguém sabe. A populaçao é que não parece disposta a voltar a deixar as suas casas por nenhuma razão e os vulcanólogos não são bem vistos por estas bandas...
Nós resolvemos ver um pouco mais de perto este vulcão e fizemos um trekking de um casebre a 2800m (onde deixamos as bicicletas) até ao refúgio de montanha a 3800m. O "pesadelo" começou aqui. O tempo estava horrível, com um nevoeiro mais ou menos cerrado, e uma chuva ligeira constante. O autocarro que nos levou de Baños ao casebre a certa altura teve um acidente. Derrapou na lama da estrada indo embater contra uma vertente. Por muita sorte ninguém se aleijou porque colidimos na parte interna da curva. De seguida, saimos do veículo acidentado e ficamos à chuva e ao frio à espera de novos desenvolvimentos! Estes chegaram quase duas horas depois quando uma pick-up conseguiu rebocar o autocarro. Pensavamos que o plano ia ser alterado, mas... não. De manhã ascensão ao refúgio e de tarde descida do vulcão em bicicleta.
A subida foi extenuante, muito inclinada e cheia de lama. Claro que a paisagem, nem vê-la! Após três horas de subida ininterrupta chegamos ao refúgio. Disseram-nos que era um refúgio novo, reconstruido após o velho ter sido destruído na erupção de 1999, mas a diferença entre o novo e o velho era quase nenhuma! Uma casota semi-destruida, e muito fria, onde comemos umas sandes antes de regressarmos para baixo, pelo mesmo caminho. Claro que descidas inclinadas e cinzas enlameadas não combinam muito bem! Mas, com a ajuda das galochas e de um bastão improvisado lá se conseguiu fazer. Quase duas horas depois, chegamos às bicicletas. Ainda equacionamos chamar um carro mas ficava caro! Sendo assim, encharcados, enlameados, pegamos nas bicicletas e lançamo-nos estrada abaixo, muito, muito devagarinho porque o tempo e o piso não ajudavam nada! Depois de pedalarmos quase uma hora e meia, na companhia do nosso guia, lá chegamos à agência em Baños. E mais uma vez se confirmou que os últimos podem ser os primeiros! Éramos os últimos a descer e o (único) guia ficou connosco.
Resultado: os outros ciclistas do grupo perderam-se e nós fomos os primeiros a chegar! Acho que foi a única coisa que correu bem neste dia!
Conclusão: se quiserem caminhar e pedalar para ver a paisagem, certifiquem-se que há condições para a ver!!

Domingo, 31 de Agosto de 2008

Tour pela Floresta Amazonica


A cidade de Banos foi a base para uma serie de actividades que resolvemos fazer neste enclave territorial entre os Andes e Bacia do Amazonas. O primeiro dia em Banos aproveitamos para fazer uma visita a floresta amazonica. Obviamente que nao conseguiamos ingressar na floresta virgem (porque o aviao era carissimo) e entao decidimos visitar a chamada floresta secundaria, que sao as areas amazonicas do Equador que tem acesso de jipe.

Viajamos ate Puyo, uma cidade que e a porta de entrada da amazonia. Pelo caminho pudemos comtemplar varias quedas de agua fabulosas e generosamente preenchidas por agua! A poucos quilometros de Puyo resolvemos visitar um centro que recolhe animais capturados pela policia que foram trazidos ilegalmente da Amazonia. Sao principalmente macacos, de varias especies, mas tambem existem aves e outros mamiferos.
Na chamada floresta tropical descemos em canoa uma parte do rio Puyo . Esta foi talvez a actividade mais radical do dia. A canoa metia agua por tudo quanto era lado e ninguem nos disse que iamos fazer rafting... Eu, na minha total ignorancia, pensava que era um passeiozinho calmo pelo rio para contemplar a floresta... Afinal nao. Era uma descida de varios rapidos, numa canoa furada. Escusado sera referir que sai de la encharcada!
Um mirador fabuloso permite-nos contemplar uma parte da bacia do amazonas. E fenomenal a vastidao da floresta. A pe, pela selva, conhecemos algumas das especies mais emblematicas que estamos habituados a ver na tv ou nos livros. Saltos de liana, quedas de agua, aranhas e borboletas gigantes... de tudo um pouco esta parte da selva tambem tem. No final ainda conhecemos uma pequena comunidade indigena.
video

Sábado, 30 de Agosto de 2008

Downhill no Chimborazo


Uma vez em Riobamba havia duas grandes atracções: o famoso "tren Nariz del Diablo" e o Chimborazo. Escolhemos a segunda. O vulcão Chimborazo mede cerca de 6300m de altitude mas detém o record do ponto mais afastado do centro da Terra. Como é isto possível? Muito fácil. O planeta Terra não é perfeitamente esférico, é ligeiramente achatado nos pólos e por conseguinte mais largo na zona do Equador. Esta situação faz com que o Chimborazo diste mais do centro da Terra do que o Monte Everest, apesar deste último ter mais 2500m! Parece estranho, mas é pura realidade. Sendo assim, decidimos que o Vulcão Chimborazo seria o nosso objectivo. Podiamos visitá-lo de várias maneiras mas optamos por uma menos convencional.

Subimos de jipe até ao primeiro refúgio a 4800m. Daí subimos até ao refúgio Wimper, a 5000m, e depois um pouco mais acima até uma pequena laguna gelada. Obviamente que tentar o cume não era para nós (pelo menos por agora)! Descemos até ao primeiro refúgio e daqui para baixo descemos o Chimborazo em downhill. Foi a loucura total. Primeiro, deixou de se ver o Chimborazo devido ao nevoeiro que desceu e, segundo, começou a cair gelo durante o percurso. O frio era intenso, o vento cortante e a paisagem... nem sempre a viamos! No entanto, a descida foi muito gira. Ao fim de algumas horas o tempo abriu e embora ainda não vissemos o Chimborazo, pelo menos viamos os vales e aldeias de populaçao indigena. Foi uma aventura muito porreira e uma forma diferente de conhecer um local tão suis generis do Planeta Terra.

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Detidos pela policia em Cuenca!

Hoje chegamos a Cuenca por volta das tres da tarde e dirigimo-nos ao nosso hostel - El Cafecito. Ficamos muito bem alojados. Resolvemos sair para dar uma volta e conhecer a cidade. Visitamos a parte central da cidade com os seus edificios coloniais e depois resolvemos ir ver a beira rio. Nunca chegamos a este local. Pelo caminho fomos interceptados pela policia que nos pediu a documentacao. Inicialmente resistimos, ja que no guia da Lonely Planet faz referencia os policias falsos que abundam no Equador. A policia exigiu-nos os passaportes. Como so tinhamos copias obrigou-nos a ir de carro de patrulha ate ao posto de imigracao. Eu nao queria entrar no carro. Disse-lhes que iria a pe ate ao hotel com eles e que lhes mostrava tudo. Eles nao aceitaram e obrigaram-nos a ir de carro. O Rui la me convenceu. Fomos na parte traseira ja que nao queriamos ir dentro do jipe. Podiamos nunca mais ser vistos!!! Era suposto irmos ao hotel mas o carro da policia seguiu e comecou a sair do centro da cidade. Quando lhes perguntamos para onde iamos o policia (a paisana e de luvas negras nas maos) diz-nos que vamos ao controle de imigracao. Se ja estava preocupada fiquei em estado de choque. A medida que nos afastavamos do centro ia ficando cada vez mais nervosa e vi as coisas muito mal paradas. Quando chegamos ao posto de imigracao os agentes (que afinal eram verdadeiros) confirmaram que tinhamos entrado hoje no Equador e que estavamos legais. Nao ganhei para o susto. A policia levou-nos de volta ao centro e nos visitamos o museu do Panama Hat (chapeu do Panama) e voltamos para o hotel. Hoje ja temos a nossa conta. Vamos ficar tranquilos no hotel e recuperar do susto!

Boarder crossing - Tumbes (Peru) - Huajilllas (Equador)


De Chiclayo apanhamos um bus nocturno para Tumbes, proximo da fronteira do Equador. A fronteira de Tumbes e considerada em muitos guias a fronteira mais perigosa da America do Sul, por isso estavamos um pouco reticentes em atravessa-la. Chegamos a Tumbes as quatro e meia da manha e alojamo-nos num hotel na Panamericana. Infelizmente, o hotel chincho era super barulhento e nao consegui pregar olho. Durante todo o resto da noite ouviasse passar carros, camioes, buses, mototaxis, tractores... tudo! Resolvemos levantar-nos as sete da manha e apanhar o bus da CIFA para o Equador. Esta companhia leva-nos para o Equador (Machala) e parou nos respectivos postos de imigracao para pudermos actualizar os nossos documentos. A area fronteirica lembra a fronteira entre a India e o Nepal, em Sounali, mas os postos de imigracao dos dois paises distam quase seis quilometros um do outro. A fronteira em si, e uma ponte sobre o rio. Felizmente correu tudo bem e o bus "largou-nos" na Panamericana, perto de Pasajes, onde apanhamos logo um bus para Cuenca. Quando entramos no Equador rapidamente percebemos porque chamam a este pais e "Republica das Bananas"!!! Durante quilometros nao vemos mais nada que nao sejam plantacoes de bananeiras. De ontem para hoje sente-se a mudanca do clima. Esta um calor infernal e o ar e humido e abafado. Estamos no Clima Equatorial. A vegetacao exuberante nao engana e ate vemos uma iguana gigante atravessar a estrada!

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Chiclayo - As Tumbas Reais do Senhor de Sipan


O nosso grande objectivo, quando decidimos passar pela cidade de Chiclayo, era visitar o recente (2002) e famoso Museu das "Tumbas Reales de Sipan". Porque famoso? Durante seculos, os tumulos ou complexos religiosos das civilizacoes que se sucederam na ocupacao do territorio andino foram quase sempre respeitados pelas civilizacoes que se seguiam. A "profanacao" mais grave que esses povos eram capazes de fazer era usar os complexos ja construidos como cemiterios para as suas proprias gentes. Em alguns casos, os complexos permaneciam mesmo intocados pois eram encarados como terreno sagrado. Com a chegada dos "conquistadores" espanhois, tudo mudou. A sede insane dos ocidentais pelo ouro e prata fez com que, ao longo de cinco seculos, a esmagadora maioria dos tumulos das civilizacoes pre-incas tenha sido saqueada e o seu interior transformado em lingotes, durante os seculos XVI a XVIII, ou vendido a "coleccionadores" na America do Norte, Europa ou Japao. Em 1987, o complexo dos tumulos reais de Sipan foi descoberto por saqueadores e as "escavacoes" ja estavam a comecar quando um arqueologo peruano, com a ajuda do governo, conseguiu proteger o local e proceder a recuperacao de tudo que la se encontrava. E o que se encontrou foi, simplesmente, o unico tumulo real intocado descoberto ate agora. Depois de anos de trabalho de recuperacao e restauro, com a ajuda de especialistas de varios paises, uma amostra significativa dos tesouros tumulares dos reis de Sipan esta em exposicao num museu com uma organizacao e arquitectura muito bem conseguidas. So com um senao... As fotos nao sao permitidas! Para se ter uma ideia das pecas em exposicao pode visitar-se o site oficial do museu http://www.tumbasreales.org/ ou entao pesquisar no Google as galerias de fotos disponiveis. O trabalho em ouro, prata, bronze, ceramica ou ainda em conchas e simplesmente espectacular. Mas o que mais me impressionou foi a estrutura e constituicao dos tumulos em si. Com o rei, foram enterrados duas mulheres, um a crianca, um sacerdote, um chefe militar, um vigia, um guardiao, um cao, um lama, e dezenas de artefactos relacionados com a vida quotidiana real. Isto demonstra bem a forca da crenca destes povos numa vida mais alem, na qual o rei continuaria a precisar de tudo o que o rodeava na vida terrena.

Trujillo - De Chan Chan as Huacas del Sol e de la Luna e Huanchaco


Uma das atracçoes perto de Trujillo sao as chamadas "Huacas" do Sol e da Lua. "Huaca" quer dizer um lugar alto e sagrado e e realmente isso que estes locais foram para as civilizacoes que ocuparam este territorio desde ha 2000 anos. Na realidade, devido a falta de financiamentos, a Huaca do Sol ainda nao foi escavada por arqueologos, por isso nada dela se sabe, excepto o seu aspecto exterior actual: uma piramide semi-destruida e coberta de areia e terra, em que ainda se notam diferentes patamares. Por outro lado, com a ajuda de fundos privados nacionais e internacionais, a Huaca da Lua esta a ser escavada desde 1991 e esta a ser construido neste momento o "Museu de Sitio". As escavaçoes, como seria de esperar, tiveram de ser feitas por fases, e a primeira conclusao que se pode tirar e que esta construçao tem uma estrutura bastante mais complexa do que a primeira vista aparenta. A piramide em si, construida junto a uma elevacao rochosa natural, seria um centro cerimonial, com o "pueblo" aos seus pes. A caracteristica mais fascinante desta construçao em adobe e que, ao longo da sua utilizacao durante seculos pela civilizacao Moche, foi sendo periodicamente palco de um enterro e renovacao. Isto e, os seus habitantes emparedavam os espacos interiores e construiam um novo piso por cima e a volta da construçao anterior! Existem pelo menos cinco niveis de construcao nesta piramide. Isto inclui cinco paredes sucessivas, cujas escavaçoes revelam pinturas extraordinariamente belas de seres antropomorficos. E impressionante ver uma secçao aberta da piramide e ver paredes sucessivas todas pintadas! A piramide em si tem sete niveis em altura, com pinturas diferenciadas, e todas as renovacoes respeitaram esta estrutura. As escavaçoes continuam, nomeadamente com o objectivo de por totalmente a descoberto o nivel do chao, entretanto coberto por areia. Este trabalho tornara visivel, daqui a uns anos, um dos monumentos mais impressionantes das civilizaçoes pre-incas da America do Sul.
Em Huanchaco estivemos pouco mais do que um par de horas. O nosso principal objectivo era ver os "cavallitos de tortora", uns barcos de junco feitos pelos pescadores locais e ainda hoje utilizados no norte do Peru. Sao o maximo e lembram as pranchas de surf!! Em Huanchaco experimentamos tambem uns "chicharrones" de lagostins e mistura de mariscos, no El Caribe.

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